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Fael no Jalapão - Dezembro 2015

Fórum destinado a relatos de passeios realizados pela galera, com fotos, vídeos e dicas de viagens, participe
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Fael
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Fael no Jalapão - Dezembro 2015

Mensagem por Fael » 26 Fev 2016 00:10

Finalmente o relato.
Como o forum estava off quando voltei, fiz um rascunho no Word mas depois relaxei de terminar o trem. Mas resolvi terminar, já que tinha prometido aos amigos que postaria o danado. Antes tarde do que nunca!


Esse fim de ano resolvi FINALMENTE ir no Jalapão-TO. Era uma dívida que tinha comigo mesmo, pois o parque é um dos pontos mais visitados/comentados entre os viajantes que curtem um off maneiro, venho querendo ir desde 2012 e está a menos de 500 km de casa.

Arranjei uma brecha no fim do ano dia 26 logo depois do natal e me programei (mais ou menos) pra sair nesse dia bem cedo e chegar em Mateiros-TO. A decisão final da viagem foi tomada dia 24.

Em resumo levei: barraca, colchão inflável, cobertor, ferramentas, kit para remendo de pneu de bicicleta, roupas, remédios básicos, kit primeiros socorros... acho que só.

A preparação da moto foi: NADA! Ela foi STD. Estava planejando trocar o pneu traseiro por um birrado/cravudo pra ter mais tração nas areias do Jalapão, mas fui muito recomendado a ir com um modelo on/off como o original da moto e só baixar a pressão. Ainda me disseram o seguinte: "se vai colocar pneu cravudo, coloca na dianteira" e isso faz todo sentido, mas acabei indo com o original da moto que já até estava no fim da vida.


A maior desvantagem de programar quase em cima da hora foi não encontrar o pneu novo e nem os equipamento off que estava querendo. No dia da viagem ainda passei pela cidade vizinha (LEM) mas não encontrei nada.

Uns amigos trilheiros daqui da região não me recomendaram essa rota pois a estrada estava muito ruim, e como estamos em época de chuva, poderia estar pior, mas fui por aqui mesmo de teimoso.
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PRIMEIRO DIA 26/12/2015
Dia da viagem chegou. Peguei as ultimas dicas, fiz os ultimos reparos, arrumei as tralhas na moto (baú e alforge no off nem pensar né), me despedi de todos e fui-me.

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Moro a menos de 200 km da divisa BA/TO e logo já estava no Tocantins. Peguei esse trecho bem esburacado.
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Logo a estrada ficou assim:
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Uns amigos tinham me falado algo que acabei esquecendo, não existe postos no caminho de LEM até mateiros, só fazendas e alguns povoados. Logo a moto deu na reserva e mateiros ainda estava longe, resolvi arrumar gasolina de algum jeito nas fazendas. Depois de duas tentativas frustradas encontrei uma fazenda da cede muito bonita com um posto abandonado do lado.
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Estava tendo uma festa no fundo e perguntei pra um pessoal que estava perto se tinha algum jeito de comprar gasolina ou álccol por ali. O rapaz gritou outro no fundo que trouxe um galão de uns 20l e disse que só poderia arrumar 5 pois era pro consumo deles e que dali a uns 30 km tinha um povoado que tinha uma autopeças que tinha uma bomba de gasolina, só tinha que bater na porta que ele atendia, pois estaria fechado.

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Paguei 25,00 nos 5 litros e fui-me rumo ao povoado.

A caminho do tal povoado dei uma vacilada numa poça e TOMBO. Caí de leve. Levantei, me ajeitei e cheguei no povoado.

Panambi.
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Aqui encontrei um bar/restaurante e a auto peças/posto que o rapaz tinha falado. Bati na porta e saiu o jovem com cara de sono e me atendeu.
PF 12,00
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5 pila o litro, novamente.
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Saindo de Panambi, andei uns 3 km e TOMBO novamente. Comprei uma plantação de soja.

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Passador de marcha empenou e eu desempenei.
Andei uns 10 km e TOMBO AGAIN. Mais uns 100 metros (isso mesmo, 100 metros) TOMBO!!
Mesmo andando a 20-30 km/h ainda estava caindo. Pense num sabão. O segundo tombo me custou o pisca dianteiro esquerdo, o ultimo tombo levou a manete de freio.

Foto tirada depois do 4º tombo.
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Quando estava me recuperando do último tombo passou um Sr numa Bros 150 todo sujo dizendo que tbm caiu e que ali quando chove é assim mesmo. Perguntou se eu estava bem, se a moto ainda andava e me deu a boa notícia que logo depois daquele morro (cerca de 2km) acabava aquele barro e começava o cascalhado.
Peguei a estrada cascalhada e logo cheguei na Pedra da Baliza.

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Quase chegando em Mateiros parei pra tirar o barro das mãos e da viseira.
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Dormi na pousada Santa Helena. Era pra ter chegado umas 14:00h e ter visitado algum ponto, mas cheguei umas 17:30.
Só depois do banho vi que ganhei uns hematomas.

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SEGUNDO DIA 27/12/2015
Acordei cedo e fui fazer uns ajustes na moto. Desempenei o pedal de freio, o pedal do cambio, deu uns chutes no guidão pois só estava trancando pra um lado de tão empenado que estava, e fiz uma gambiarra na manete de freio dianteiro pois não tinha encontrado em lugar nenhum em Mateiros.
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Primeiro dia de passeio no Parque. Peguei umas dicas de roteiros com uns jipeiros que estavam na pousada e segui boa parte do cronograma que eles me recomendaram.

Da pousada segui para o primeiro fervedouro. O pessoal ali estima que existam cerca de 180 fervedouros no parque, mas poucos são abertos pra turismo ou simplesmente os donos das propriedades não querem turistas em suas terras.

Fervedouro dos Buritis
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Dali segui pra outro fervedouro mas a propriedade estava fechada com cadeado, esqueci o nome desse. Segui para o Fervedouro das bananeiras. Muuuuito bonito.

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Saindo, fui no povoado de Mumbuca, onde acontece parte da festa do capim dourado e onde parte do artesanato é feito.

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Saindo rumo cachoeira da formiga avistei um tatuzinho, parei pra ver se conseguia pegar pra tirar foto mas o bichinho desapareceu. Voltando pra moto, cadê a moto? No chão Não ajeitei direito, pezinho afundou e caiu. Na estrada que dá acesso à cachoeira da Formiga é uma areião vermelho muito difícil de manter a moto entre os facões. Me atrapalhei e, advinha? TOMBO. Tombo em areião não machuca desde que a moto não caia por cima.

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Mas cheguei na formiga
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Agora o rumo é o encontro das águas, onde existe o fervedouro que leva esse nome.

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Foi o menor fervedouro que fui, mas o que mais tem pressão. Só afundei até a altura do tórax. Muito incrível o fato de não afundar nem tentando. Eu não sei nadar, mas ficava super confiante nos fervedouros.

Encontro das águas. (Dois rios se encontrando)
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Partiu cachoeira do Prata. 10 km de uma areia fina e branca. Nesse trecho senti falta de um óculos de sol claro, pois o sol na areia reflete muito forte.
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Cheguei exausto e só tinha uma banana e um pacote de bolacha pro almoço.
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Dali segui pra São Félix, onde acampei com uns trilheiros de SP. Umas 4 Kawasakis num caminhãozinho desses parecidos com os caminhões de apoio dos pilotos do dakar. Fiquei besta com a estrutura dos caras, tinham uma cozinha completa (fogão, geladeira, armário...), gerador, violão e viola caipira, uma gambiarra puxando lâmpadas no camping...
Aqui me deram uma dica de ouro: Ao invés de ir até Novo Acordo (minha ideia até então) eu poderia cortar o parque pela metade por uma trilha e evitar andar um monte num lugar com nada pra ver. Tomei umas mais os caras e fui dormir imaginando o quanto isso iria me dar de tempo e eles ficaram até umas horas tocando e cantando.

TERCEIRO DIA 28/12/2015

Tomei um café caprichado numa padaria em São Félix onde o atendente me disse que o correio (Banco do Brasil) só abriria as 9 da manhã. Blz, enquanto não abria fui no fervedouro do alecrim que fica ali perto.

Muito bonito e bem acessível.
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Voltei na cidade, saquei a grana e parti rumo cahoeira das araras, mas no meio do caminho ví uma placa "Cachoeira do jalapinha - 4km". Acho que rodei uns 18km e não encontrei a tal da Jalapinha.

Cheguei na margem desse rio várias vezes mas nada de cachoeira. Até abrir trilha eu abri, quebrando mato... NADA.
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As vezes desligava o motor e parecia estar ouvindo o barulho da danada... ou era barulho de vento? :roll:
Resolvi seguir viagem antes que ficasse louco. :lol: Como disse o Bega, essa Jalapinha é lenda.

Continuando para Cachoeira das araras.
Volume de água aqui estava pequeno.
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Tocando em frente agora pra encontrar o atalho que os trilheiros recomendaram. No caminho, Morro da catedral:
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PENSE NUM ATALHO DESGRAÇADO!!!!!!! Foi o trecho que mais caí. Não conseguia passar de 30 por hora na maior parte do percurso e pra "melhorar" ainda peguei um caminho errado. Foi o dia mais sofrido no jalapão.

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De São Felix eu seguiria para Novo Acordo e depois descer para ponte alta (uns 150 km). A dica dos trilheiros era cortar por um caminho de fazenda perto do povoado de Roque e economizar uns 200 km.

(Curiosidade: Da cachoeira das Araras até a Cachoeira da Velha dá uns 16km, mas não tem caminho pra isso a não ser de bote ou canoa, então é preciso andar quase 200 km ou pegar o atalho que peguei).

Peguei o atalho e logo avistei algo brilhando na beira da estrada. Um feixe de capim dourado:
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Quando estava na metade do atalho parei num povoado no meio do nada (nada mesmo! Incrível como em todo lugar tem gente)
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Dei uma olhada no GPS (google maps do android) e ví que já estava na metade. O atalho tinha uns 55 km e eu tinha andando uns 20km. Continuei andando e finalmente saí na rodovia cascalhada.
Fui dar uma olhada no GPS do celular pra ver onde tinha saido e... ESTAVA NA MESMA RODOVIA QUE O PONTO DE PARTIDA!!! :x :oops: :cry: :evil: :shock: :(

Esse era o caminho certo:
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E isso foi o que fiz:
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Sabe essas horas que vc sofre pra baralho pra conseguir um feito, sai errado e procura uma maneira rápida de resolver as coisas e não consegue pensar em nada? Coisas que vieram á cabeça: "É erro no mapa; o caminho não existe; trilheiros fdp; peguei a entrada errada; será que consigo bolar um teletransporte rapidinho aqui?"

Não tinha escapatória. Tinha que voltar e pegar o caminho certo. Dessa vez fui consultando o mapa a cada km rodado :mrgreen: .
Quando estava quase saindo na outra rodovia (dessa vez a certa) me atrapalhei com pegadas de gado e CHÃO.

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Torei esse arbusto no tórax
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Não tirei foto da maioria dos terrenos, mas foram mais de 12.

Parei pra tomar um folego do areião mais brabo que já tinha enfrentado no Jalapão (no dia seguinte teve um pior). Fiquei parado por uns 20 minutos, tomei uma água quente e segui.

Andei alguns KM e finalmente cheguei em Ponte Alta. Essa é a cidade considerada o portal do jalapão, pois a maioria dos visitantes do parque vem subindo o mapa e passam primeiramente em Ponte Alta.
Cheguei cedo e fui logo procurando uma moto-peças pra arrumar a manete quebrada, encontrei na segunda tentativa. Encontrei uma pousada, lubrifiquei a moto, dei uma checada no filtro de ar e fui fazer um tour pela cidade e aproveitar pra me reabastecer com frutas e bolachas que vinham sendo minhas refeições diarias.

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Depois do rango dormi feito pedra. Tinha que sair cedo pra fechar meu ultimo dia no parque com "GOLDE DE OURO" (by partoba) pois tinha que ir na Pedra Furada, Cachoeira da Fumaça, Soninho, passar novamente por Ponte Alta, seguir para Sussuapara, Lageado, Velha, e finalmente Dunas!

QUARTO DIA 29/12/2015

Saí rumo Cacheira da Fumaça. Um pedaço de uns 30 km de asfalto e depois só estrada cascalhada cheia de curva e sobe-desce. no caminho passei na famosa Pedra Furada.

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Continuando... mais um susto. Passei meio rápido numa erosão (uns 80km/h) e parte da minha bagagem foi ejetada da moto e quase me leva junto, tentei me segurar em cima mas a moto dançou demais, fui pro meio da estrada e a moto saiu quebrando cerrado. A valeta era um pouco funda, a suspensão traseira chegou a cepar e deu até medo de ter estragado algo na moto. Parei, catei as tralhas espalhadas por uns 30 metros e amarrei mais firme e de outra maneira, de modo que a mochila ficou em pé e ganhei mais espaço pra mim no banco (valeu a dica, Jota). Depois de ficar parado um pouco pra me recuperar do susto e retomar o fôlego que perdi enfiando o retrovisor no estomago, toquei o barco.

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Pouco mais a frente, a linda, curiosa e interessante Cachoeira do Soninho. O pessoal ali chama de Cachoeira do buracão, mesmo nome de uma cachoeira aqui da região onde moro.

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Continuando para Fumaça. Cheguei a pegar um caminho errado e quase levo um tombasso num banco de areia na frente duma sede de fazenda. Bati o pé no chão com tanta força que doeu o joelho.

Cheguei nessa ponte.

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Todo cuidado do mundo pra atravessar, pois as tábuas são todas soltas. (Ruy tinha citado essa ponte em seu relato em seu Blog), anda um pouco, escolhe uma tábua que esteja mais estável... uns 8 minutos depois chegando do outro lado, fui checar e mapa e THAN... Não precisava ter atravessado :evil: A cachu fica logo ali no pé da ponte. Pra voltar foi mais rápido pois decorei as tábuas boas.

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Quando respirava fundo ainda sentia o estomago doer desde a retrovisada que levei, então descidi não descer até a base da cachoeira e fui-me rumo Sussuapara.
Aqui em diante fui seguindo as dicas do Ruy pra encontar as entradas dos pontos. Tinha tirado vários prints do Blog dele, foi meu guia sem saber. :mrgreen:

Cânion de Sussuapara. Lindo lugar pra quem curte grutas e cavernas. Trata-se de uma cachoeira que caia numa fenda a umas centenas de anos, mas a parte alta da cachoeira acabou se espalhando e hoje em dia apenas escorre um filete d'água por uma pequena fenda no começo do cânion. Esse filete cruza todo o cânion por uns 50 metro e vc fica pisando nele o tempo todo, o resto da água cai por gotejamento vindo da parte alta da extinta cachoeira.

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Sou fascinado por essas coisas! Admiro muito a natureza ter tirado uma bela cachoeira e colocado um incrível cânion no lugar!
"Tudo se transforma"

Resenha rápida: Saindo do cânion rumo à moto resolvi dar uma aliviada e atender o chamado da natureza :roll: . Acontece que quando cheguei na moto, cadê a chave? Procurei ao redor, no caminho que fiz, bolsos de calça e jaqueta, no "banheiro" e nada. Depois de uns 15 minutos procurando resolvi fazer ligação direta. :cry: . Fui desamarrar minhas ferramentas da bagagem e Paah:
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A poha da chave tinha ficado em cima da poha da bagagem. :evil: Só sobrou rir sozinho mesmo :lol: :lol: :lol: Que alívio.

Aaaa! Nesse ponto eu já estava atrasado pra quem gostaria de ver o por do sol nas dunas, melhor momento pra visitar as dunas, pois ainda tinha muito ponto pra visitar.

Partiu Cachoeira do Lageado.

De todas as cachoeiras do Jalapão essa foi a que mais achei bonita. Não é a que tem mais volume de água e está longe de ser a mais alta, mas tem um encanto próprio que me bestificou. Trata-se de um rio que vai descendo uns "degraus" e cai num poço. Já tinha visto em muito site de muitos angulos, mas só vendo pessoalmente pra sentir aquela alegria misturada com satisfação e orgulho próprio que dá vontade de soltar aquele UHUUUUU.

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Saindo da Lageado rumo Velha decidi procurar a cachoeira do Brejo da Cana que Jota havia mencionado, mas como não peguei informações suficientes no Blog do Ruy que também já foi e não queria me atrasar pro por do sol nas dunas e ainda acabei caindo numa estrada interditada por um riacho que não dava pra atravessar...

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Depois de uns dias ví que o acesso é super fácil, mas tinha passado batido... :cry: Fica pra uma próxima com a galera, quem topa?

Quem disse que no Jalapão não tem asfalto?
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Trecho asfaltado de uns 40 metros pensando em ônibus escolares, ambulâncias e outros veículos que rasgavam os pneus nas pedras.

Agora o rumo é a maior cachoeira do Jalapão. Cachoeira da Velha.
Fica na ex fazenda do Pablo Escobar :shock: A estrada de acesso tem uns 20 km de pedra, pedra e PEDRAAAAA. Tava morrendo de medo de rasgar meu velho pneu naquela estrada. Ia escolhendo os caminhos que tinha areia, geralmente nos cantos.
Não vi ninguém indo ou voltando, mas tinha umas 6 pick-ups lá.

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NOTA: Se vai ao Jalapão de carro, vá de 4x4. Não se vê veiculo 4x2 em momento nenhum no parque. Ainda cheguei a ver uma S10 dessas modelo antigo quebrada (quebrou algo na tração dianteira) e uma Frontier dessas 2013 atolada sendo puxada por 2 Troller.

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Mais abaixo tem uma prainha bem aconchegante.

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Deixando a marca XOL no portal de entrada e saída da cacheira.
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Sol quase se pondo e eu super atrasado pras Dunas.
FERRO NA BUNEKA, VAMU ENRROLAR O CABO!!!

Vinha voando baixo na estrada de pedra desgraçada e tinha lido no relato do Ruy sobre um atalho, mas que era muita areia e não compensava passar por ali pois a areia era muito bruta! Mas como sou teimoso... Peguei o atalho. PENSE NUMA AREIA FOFA, FINA, E FUNDA!!! Parece que não ia acabar nunca! O pior areião do Jalapão! Era queda em cima de queda! Numa dessas...

A moto caiu por cima de minha perna com os pneus quase pra cima, ficou bem inclinada num barranquinho e a parte que mais apoiava no chão, consequentemente a mais pesada, era o banco que estava em cima de minha perna. Tentei por alguns minutos tirar a moto de cima e não conseguia, só pensava que ia ter que ir embora sem ver as dunas!!! Resolvi soltar a bagagem pra ver se ficava mais leve. Alcancei os elásticos e a bagagem saiu rolando, senti um alívio em cima da perna mas ainda não conseguia livrar. Então tive a ideia de cavar embaixo da perna até conseguir sair dali, mas como estava sem nada ao alcance e a bagagem tinha rolado pra longe do alcance o jeito foi quebrar um arbusto e ir cavando. A poha do arbusto tava cheio de formiga e eu já estava ficando tonto pois estava quase de cabeça pra baixo. CONSEGUI LIVRAR A PERNA!!! Depois de uns 20 minutos levantei, levantei a moto, joguei água no tanque que vazou gasolina pela tampa, amarrei novamente as tralhas, tirei quase toda a roupa pra tirar as formigas e continuei. Nesse tempo ninguém passou por ali! :| Já deviam estar informados sobre a areia dos infernos que é aquele desvio.

Mas isso não tirou minha motivação de continuar voando pra chegar a tempo! Em alguns momentos chegava a atingir 125km/h naquele cascalho! Ultrapassei muita pick-up e FINALMENTE cheguei ao portal das Dunas por volta das 18:00h.

Fui falar com o guarda:
-Quanto é pra entar pras Dunas?
-Já tá fechado...
-Sério cara??? Não pode abrir pra min?
-Não posso, esse pessoal ae tudo chegou atrasado (tinha uns 3 carros) e se eu deixar vc entar eles vão querer entrar também.
-Véi, hoje é meu último dia no parque, não queria ir embora sem ver as Dunas! O mais bonito do parque! Não tem nada que vc possa fazer por min?
-Mas vc não vai conseguir chegar a tempo! Quando chegar já vai estar escuro...
-Consigo sim! Pode acreditar!

Ele ficou calado e eu já estava planejando um jeito de entrar mesmo sem ele deixar, ví que não tinha portão, só uns cones que eu conseguiria passar tranquilo e ele não me alcançaria. Afivelei o capacete e ele solta:

-Cara... Faz o seguinte: Passa aqui por dentro empurrando a moto e liga só quando estiver atras da casa e vai-se embora!
-VALEU VÉÉÉÉI!!! VALEU MESMO.

Fiz como ele disse e sulerei! Mas como é de praxe, comprei um terreninho básico :mrgreen: :lol: Agora antes de cair direito já fui tirando a perna de debaixo da moto. :roll:
Ainda fiz uma paradinha pra tirar foto do famoso Oásis das Dunas.

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Cheguei no estacionamento. Ainda tinha que andar uns 150 metros até a base das dunas e depois subir a danada!

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Na volta das dunas tinha um troller pareando, não quis dar passagem e ele veio forçando, passando por outros caminhos, (os jipeiros abrem vários caminhos pra escolher um lugar mais tranquilo de passar) vinha acelerando forte e ele conseguiu me passar indo pelo mato, passei dele novamente usando um caminho alternativo e tomei uma boa distancia, ae caí de novo :mrgreen: Deixei o pega pra lá e ele foi embora.
Passando novamente pelo guarda, perguntou se consegui chegar a tempo e eu mostrei as fotos pra ele. Ele confessou:

-Cara, vou mentir pra vc não... deixei vc ir pra não discutir, mas eu tava duvidando que vc ia conseguir.

Toquei pra Mateiros. Tava doido pra tomar umas gelas e dormir. No caminho MUUUUITO carro voltando das trips e das dunas, um poeirão louco!!! Alguns trechos eu só sabia se tinha buraco quando via as lanternas dos carros subindo e descendo! Breu Total!
Fui ultrapassando todos os carros, inclusive o troller que tinha me passado e assumi a ponta. Visão 100% de agora em diante.
Finalmente cheguei em Mateiros depois de 35 km desde as dunas e fui no posto abastecer e tomar umas gelas pra aliviar o calor e ruminar os trambiques. Quando já estava lá pela quarta latinha o comboio de jipeiro chegou.

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Achei uma pousada e um ponto de espetinho maravilhoso onde comi espetinho de lingua pela primeira vez! Gostei.

DESPEDIDA DO JALAPÃO

No dia seguinte não acordei tão cedo. Tomei café na pousada e fui-me embora.
Tinha chovido a noite toda e na estrada só tinha meu rastro, muito trecho alagado. Em alguns pontos a água vinha quase no banco da moto.

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Depois disso passei em Dianópolis, no caminho de casa. Morei ali alguns anos quando era criança e fiz um pequeno tour pela cidade só pra rever uns pontos que eu tinha na memória.

Mais algumas horas e já estava em casa. No total foram 1720 km super bem rodados e uma super bagagem de conhecimento e cultura.

JALAPÃO VENCIDO!!!
2011 1º ENX- Chapada Diamantina BA-FUI
2012 2º ENX- Conceição da Barra ES-FUI
2013 3º ENX- Pirenópolis GO-FUI
2014 4º ENX- Ibiúna SP-FUI
2015 5º ENX- Florianópolis SC-FUI

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Re: Fael no Jalapão - Dezembro 2015

Mensagem por Quasenada » 26 Fev 2016 05:22

muito massa fael! vc foi corajoso de ter vencido o jalapão nesse ritmo "rally dos sertões" to imaginando os trechos que eu passei a 20 km/h e vc rasgando a 125 km/h :lol: :lol: :lol:

aventura estilo bruto! só para os fortes! :shock: :D

vários desses fervedouros e algumas cachoeiras dessas eu não fui, algumas outras que visitei parece que vc não passou, Jalapão vale fácil várias visitas, em várias épocas do ano, pra conhecer bem o lugar.
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ENX:
2011 - Chapada Diamantina/BA
2012 - Conceição da Barra/ES
2013 - Pirenópolis/GO
2014 - Ibiúna/SP
2015 - Florianópolis/SC
2016 - Serra da Canastra/MG
2017 - Jaciara/MT ...
Eu fui!
2017 - Santo Cristo/RS - O vo!

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Re: Fael no Jalapão - Dezembro 2015

Mensagem por Hercilio_Junior » 26 Fev 2016 07:33

8-) Belo relato, surpreendente aventura! Parabéns Fael. Para proxima expedição organize uma trupe!
Valeu!!! 8-)
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6° ENX - Serra da Canastra - Ô fui!!! 8-)
7º ENX - Jaciara - NUM VÔ MAI NÃO!!!! :x

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Re: Fael no Jalapão - Dezembro 2015

Mensagem por Jota » 26 Fev 2016 08:45

Parabéns, Fael... Top a Trip, fotos e relatos... Certamente irá incentivar a turma conhecer o Jalapão.
8°ENX SANTO CRISTO - Ô Vô
6°ENX CANASTRA; 5ºENX FLORIPA; 4ºENX IBIUNA; 3ºENX PIRENÓPOLIS; 2º ENX CONCEIÇÃO DA BARRA; 1º ENX CHAPADA DIAMANTINA... Q SUCESSO, EU FUI!!!!

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Re: Fael no Jalapão - Dezembro 2015

Mensagem por fredericoengel » 26 Fev 2016 08:53

Muito show Fael.

Para poucos há trip.
Um kg de prevenção vale mais que uma tonelada de cura
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Re: Fael no Jalapão - Dezembro 2015

Mensagem por tsbega » 26 Fev 2016 09:16

Muito bom relato Fael

Jalapão é realmente um divisor de águas, muito bonito, mas ordinário, um belo desafio pra quem curte um off road

Parabéns

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nelsonbad32
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Re: Fael no Jalapão - Dezembro 2015

Mensagem por nelsonbad32 » 26 Fev 2016 09:40

Kkkkkk, meus passeios são coxinhas demais.

Fiz boa parte desses rolês em 2011 e só comprei um terreno. kkkkkk

Show o manete de freio improvisado.
ENX:
2011 - Chapada Diamantina/BA / 2012 - Conceição da Barra/ES / 2013 - Pirenópolis/GO
2014 - Ibiúna/SP / 2015 - Florianópolis/SC / 2016 - Serra da Canastra/MG - Ô fui!
2017 - Jaciara/MT - Ô vô!... e Ushuaia tamém. :-)

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Re: Fael no Jalapão - Dezembro 2015

Mensagem por VENTANIA » 26 Fev 2016 15:30

Fala Fael, muito legal sua viagem, foi sozinho?


Muito legal.
um abraço a todos
RUY
IBIRAMOTOPOINT TODAS AS TERÇAS SÃO PAULO

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James Parra
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Re: Fael no Jalapão - Dezembro 2015

Mensagem por James Parra » 26 Fev 2016 18:24

Show demais Fael! Essa moto vai se acabar na tua mão... Kkkkk bixo louco!
1º, 2º, 3º e 4º ENX MG EU FUI! 8-)
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3º ENX Pirenópolis EU FUI! 8-)
4º ENX Ibiuna EU FUI! 8-)
6º ENX Canastra EU FUI! 8-)
7º ENX Jaciara EU FUI! :D

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Re: Fael no Jalapão - Dezembro 2015

Mensagem por top_dog » 26 Fev 2016 20:07

Caraca!!! Povo achando que eu era doido de ir sozinho, mas olha o que tu fez!!!

Mas falando sério, vc se arriscou demais não?

A sensação de solidão lá é foda.

Show de role!
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